Desmotivação Profissional: Um problema para as Organizações.

O objetivo deste artigo é mostrar o quanto a desmotivação profissional vem sendo um grande obstáculo para que as organizações alcancem melhorias nos seus processos produtivos, enfatizando as causas, os efeitos e as soluções deste processo. Mostrando que esta desmotivação pode ocorrer tanto da empresa para o funcionário, quanto do funcionário para a mesma. Abordando, desta forma, sobre o que a psicologia explica em relação ao desempenho do indivíduo na organização atrelado a delegação de tarefas simples ou de alta confiança e, também, o quanto é importante à adoção de métodos de incentivos aos funcionários, pois até nos animais de maior simplicidade (como os ratos) existe expectativa.

Desmotivação profissional era algo que quase não existia em relação ao trabalho, as pessoas trabalhavam por prazer, o fato de estarem em equipe ajudava o desempenho de cada uma. No início do século XX, com a implantação da organização científica do trabalho, os conhecimentos técnicos do saber operário foram-lhe retirados, o homem foi perdendo aos poucos o senso de coletividade e passou a exercer atividade predominantemente individual.

O trabalho hoje se tornou algo crucial na vida das pessoas, uma necessidade de sobrevivência. O trabalhador pode até não gostar do que faz, mas continua a trabalhar mesmo insatisfeito com o serviço, por medo de não encontrar outro melhor ou por puro comodismo. “… o trabalho atualmente é um meio para ganhar dinheiro e não uma atividade humana significativa em si”. (FROMM, citado por KRAWULSKI, 1991, p.60).

As organizações são grandes culpadas pelas insatisfações dos funcionários, pois não procuram descobrir o que necessariamente motiva cada um, algumas até vêem isto como custo alto e não percebem que este capital investido terá retorno em forma de melhorias para a organização.

Para melhor compreender o verdadeiro sentido do termo desmotivação, deve-se buscar entender o significado da palavra motivação. (EVANS,1976) diz que motivação é o conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo, despertando sua vontade e interesse para uma tarefa ou ação conjunta. Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção, e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta.

A motivação é baseada em emoções, especificamente, pela busca por experiências emocionais positivas e por evitar as negativas, onde positivo e negativo são definidos pelo estado individual do cérebro, e não por normas sociais: uma pessoa pode ser direcionada até à auto-mutilação ou à violência caso o seu cérebro esteja condicionado a criar uma reação positiva a essas ações. A motivação surge de dentro das pessoas, não há como ser imposta.

Despertar o interesse das pessoas para a Qualidade é fundamental, uma vez que não se implantam qualidade por exortação, decretos ou quaisquer mecanismos coercivos.
Motivação vem de motivos que estão ligados simplesmente ao que você quer da vida , e seus motivos são pessoais , intransferíveis e estão dentro da sua cabeça (e do coração também) , logo seus motivos são abstratos e só têm significado pra você ,por isso motivação é algo tão pessoal , porque vêm de dentro.

O grande problema é definir os motivos verdadeiros , o que você quer , para assim dar realmente significado a sua luta diária , e não mais somente viver das migalhas dos motivos dos outros. Visto que a motivação não é alcançada através de uma atitude coercitiva ou imposta, torna-se um grande desafio para as empresas alcançá-la. Jornadas de trabalho prolongadas, trabalhos desgastantes, podem levar ao ponto crucial, a desmotivação profissional.

 

A palavra desmotivação, devido ao prefixo dês, de acordo com (NUNES,2003) indica separação ou ação contrária à palavra indicada (motivação), é a perda do interesse para a realização de uma tarefa ou atitude, não há incentivo e nem iniciativa. (HERSEY,1974) afirma que a psicologia já explica que a motivação é um fator de muita importância nas atividades que o ser humano desempenha e em seu desenvolvimento. Um funcionário desmotivado dentro da empresa pode representar um perigo, pois além de não produzir, poderá formar movimentos de contraculturas, podendo ou não influenciar outros funcionários. Caso o gestor não consiga motivar os funcionários a crescerem junto com a empresa, possivelmente seu papel como líder estará sendo ineficiente.

Entendemos que a desmotivação profissional segue um roteiro muito parecido com o da doença depressiva. Primeiro surge o desinteresse – o dia fica comprido e as horas demoram a passar. Depois, o desânimo generalizado chega a um ponto em que o sujeito não quer nem mesmo se levantar da cama de manhã. Nesse instante, o profissional precisa pensar seriamente em mudar sua rotina.

Nas teorias X e Y de Douglas McGregor (1960), o desempenho do indivíduo na organização está diretamente ligado às crenças e valores (cultura) de seus líderes dentro da mesma. Na teoria X ele afirma que os executivos deixavam de confiar em seus subordinados, pois acreditavam que estes não desempenhavam um bom trabalho, deixavam de delegar tarefas, o que ocasionava a desvalorização do funcionário e a irresponsabilidade deste no serviço. Já na teoria Y, acontecia o oposto, os executivos delegavam tarefas, de alta confiança e responsabilidade, a seus funcionários sem cobrança e marcação cerrada, o que os deixavam a vontades para executar suas atividades, dedicando o melhor de si. Desta maneira, o funcionário sente-se motivado a trabalhar porque sabe que é um membro indispensável para o alcance dos objetivos da empresa.

A desmotivação profissional ocorre a partir do momento em que a vontade de trabalhar diminui ou até mesmo chega a ser nula, os motivos que fazem com que as pessoas fiquem assim, chegam a ser diversos. A política, a cultura e o ambiente organizacional são grandes causadores desta desmotivação.

Na ida ao trabalho, já começa a se materializar o suplício diante daquela tenebrosa perspectiva de passar o expediente enfurnado detrás da mesa cumprindo uma rotina de tarefas odiosas. As maiores reclamações dos trabalhadores estão relacionadas à sobrecarga no trabalho, que se dá devido ao trabalho excessivo que um funcionário realiza por fazer atividades que não são só de sua responsabilidade, mas de outros funcionários também, algumas vezes num curto espaço tempo.

As atividades repetitivas resultam na desmotivação profissional e na falta de atenção, como não é possível, em alguns trabalhos, acabar com essas atividades, o importante é adotar providências para que os funcionários reconheçam e sejam melhores naquilo que fazem. Problemas ergonômicos como o conforto térmico no ambiente de trabalho, o conforto acústico, iluminação, horas trabalhadas interruptamente, as exigências físicas e postural ou sensoperceptiva, visto que problemas nesses níveis podem levar ao estresse do funcionário e consequentemente a desmotivação profissional.

Ergonomia e motivação andam paralelas, ou seja, ambiente adaptado ao indivíduo é o pressuposto para boa rotina de trabalho. Como dizem muitos especialistas na área de ergonomia, o ambiente deve ser adaptado às necessidades do indivíduo.

 

Muitas empresas que sofrem com o problema da desmotivação é devido à circunstâncias atreladas ao propósito da organização, que estão relacionados a falta de adequação dos funcionários aos propósitos da empresa. Os funcionários iniciam na organização, e conforme vão conhecendo os objetivos desta, verificam se os objetivos pessoais estão atrelados aos da organização, os quais serão os indicadores do comportamento dentro do ambiente de trabalho. Quando os objetivos pessoais não se relacionam com os organizacionais, surge o problema da desmotivação do funcionário, uma vez que as atividades realizadas não serão condizentes com seus objetivos.

Existem casos, entretanto, em que o funcionário não sabe ao certo seus objetivos, ficando “perdido” nas rotinas organizacionais, ou até mesmo realizando atividades para
cumprir metas, e não por ter um motivo.

(PEREIRA,2004), diz que só o objetivo clama por resultados. Portanto, se donos ou gerentes da empresa não os vêm por parte dos funcionários, acabam chegando a conclusão de que a única solução é a demissão. Este autor afirma, ainda, que a motivação refere-se ao comportamento que visa um objetivo, ou seja, sem objetivo o indivíduo não caminha junto com a organização. O comportamento humano orienta-se basicamente para a consecução de objetivo, ou pelo desejo de alcançar o objetivo, mas nem sempre as pessoas têm consciência dos seus objetivos, e nem sempre nossa mente vê conscientemente a razão das nossas ações.

Os impulsos que determinam nossos padrões comportamentais, a personalidade é em grande parte subconsciente, onde Sigmund Freud foi um dos principais a reconhecer a importância da motivação subconsciente (HERSEY E BLANCHARD, 1986).

O absenteísmo é uma das principais conseqüências da desmotivação profissional, que é a falta de trabalho ou atraso ao trabalho. O trabalhador desmotivado inventa desculpa para chegar tarde ou faltar, pois quanto menos tempo no local de trabalho, para ele, melhor se sentirá, uma vez que, o próprio ambiente não o motiva. Atrelado ao absenteísmo está a acumulação de trabalho por parte do funcionário, haja vista que, a falta de programas de incentivos o deixa desmotivado e lento para a realização das atividades, além de fazê-las de modo “mal feito”.

Se a empresa deseja que seu funcionário tenha desempenho ótimo, é necessário que ela incentive-o. É válido lembrar que a organização apenas propicia condições e incentivos para que o trabalhador se sinta motivado, se este não estiver disposto a isso, de nada adiantará. Continuará desmotivado profissionalmente

(TOLMAN;HONZIG,2006) provaram no “experimento de aprendizagem latente” que o impulso é comum e constante a todos os animais, desde o de menor simplicidade (rato) até o de maior (homem). Eles utilizaram três grupos de ratos, e os colocaram em um labirinto. O Grupo I a cada fim de prova, recebia uma recompensa (comida), o Grupo II não recebeu nada e o Grupo III só recebeu depois da décima prova.

Para vencer esta desmotivação, a Empresa Multimídia Brasil, de São Paulo, estabeleceu um jogo de incentivo que motiva toda a equipe de trabalho, desde o vendedor até o gerente. (SACCO,2006) montou um plano de incentivos que premia a cada semana todos os funcionários que atinjam suas metas estabelecidas e por consequência aumenta o contentamento dos mesmos.

As organizações precisam entender que elas devem oferecer o que o funcionário quer e precisa ganhar, e não os incentivos que ela está disposta a oferecer, pois as pessoas são diferentes, possuem necessidades e emoções distintas, e o que parece mais “assustador”, o homem é um ser insaciável. As metas que a organização estabelecer devem ser atingíveis, pois caso contrário poderá desmotivar o funcionário. A empresa pode disponibilizar uma relação de benefícios, sendo que uns são obrigatórios e outros não, assim o funcionário escolherá o que mais lhe agradar ou estiver de acordo com as suas necessidades.

Após termos feito esta pesquisa, chegamos à conclusão que a desmotivação profissional está realmente presente nas organizações, desde as de pequeno porte até as de grande.

As empresas que sempre procuram se atualizar, buscando métodos para obter a eficiência e eficácia na obtenção dos resultados, utilizam programas de incentivo. Desta forma, diminuir o processo de desmotivação profissional tanto no quadro de funcionários, quanto no quadro gerencial da organização. A maioria delas possui o ideal de que as pessoas são o mais importante nas organizações. Um ponto essencial é a empresa saber quais seus objetivos e metas a alcançar para poder traçar metas a seus funcionários também, assim todos irão trabalhar em prol dos objetivos da organização. E também os objetivos do funcionário tem que estar de acordo com os da sua organização, caso contrário é melhor que ele peça demissão e procure um local mais adequado onde investir o seu tempo, conhecimento e esforços.

Percebemos que os fatores que levam à desmotivação profissional partem não somente de fatores psicológicos, mas também a fatores relacionados com o ambiente físico. A motivação não deve ser imposta e sim estimulada, ela surge dentro das pessoas, por esta razão o funcionário tem que querer ser motivado, cabe a empresa oferecer os incentivos necessários para o êxito deste processo motivacional, seja através de promoções ou por meios monetários.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EVANS, Phil. Motivação; Vol D2, Rio de Janeiro; Zahar Editores, 1976.
HERSEY, Paul. Psicologia para administradores de empresas: a utilização de
recursos humanos; São Paulo; Editora Pedagógica e Universitária Ltda, 1974.
MOTTA, Fernando C. Prestes; CALDAS, Miguel P. Cultura organizacional e cultura
brasileira. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 1997.
PEREIRA, O. G. Fundamentos de Comportamento Organizacional. 2ª ed.Lisboa:
Editora Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.
PEQUENAS EMPRESAS E GRANDES NEGÓCIOS – Marketing e Vendas.
O poder do vil metal. São Paulo. n .7, set. 2006. Edição Especial.
EXECUTIVE DIGEST. 50 Nomes que marcaram a Gestão. Edição N.º48.
Disponível em: http://www.centroatl.pt/edigest/edicoes/ed48dossier1.html
MENDES, L. A. M. O Gerenciamento da Rotina. Disponível em:

http://www.dinsmore.com.br/ngm/artigosluisantonio.htm

NUNES, A. M. B. A (re)utilização da Prefixação em Mia Couto. Aveiro, 2003.
Disponível em: http://www.ii.ua.pt/cidlc/gcl/files/publicacoes/20RUAL_2003d.pdf

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Publicado em fevereiro 6, 2012, em Sobre o Mundo e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. É uma realidade em todo lugar.
    O que dizer da terceirização no serviço público onde o contratado tem um salário não compatível, não tem plano de carreira e quase sempre não tem plano de saúde.

  2. Jose de Souza Mateus

    olha eu gostei muito de ler este comentário vcs estão de parabéns

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