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“09.11” – 10 anos depois

outubro 3, 2011

As Torres Gêmeas eram o jardim suspenso dos EUA. Elas faziam parte de um complexo de sete edifícios, que constituíam o World Trade Center, em Manhattan, o coração financeiro de Nova York.

Em quatro de abril de 1973, quando foram inauguradas, eram os mais altos edifícios do planeta. Sua magnificência durou menos de uma geração: 28 anos.

No dia 11 de setembro de 2011 completou-se 10 anos que elas foram derrubadas por um ataque terrorista de radicais islâmicos financiados pela Al Qaeda do árabe, Osama Bin Laden. Quero refletir um pouco com você sobre este marco.

Sem dúvida, o atentado às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, é o fato político global mais marcante para a minha geração. Talvez um efeito semelhante ao exercido pelas duas Grandes Guerras Mundiais sobre as pessoas que viveram naqueles períodos. Para nós, brasileiros, o efeito do 11 de setembro, está mais no plano reflexivo do que no prático. Não estamos identificados diretamente nem com o Oriente árabe e islâmico nem com o EUA. Imagino que a maioria dos cidadãos da China, Rússia e Índia estejam numa posição reflexiva semelhante. Passados 10 anos do evento, levanto, sem pretensões conclusivas, os seguintes temas para reflexão:

O papel dos EUA no mundo

A hegemonia cultural, econômica e militar dos EUA está no centro do ataque do 11 de setembro. Embora considere os discursos sobre o imperialismo norte-americano rasteiros e vagos, o fato é que o ataque terrorista levantou a questão: se os EUA exercem tanto poder sobre os demais países, esse poder está sendo exercido da melhor forma possível?

A primavera Árabe

A derrubada de governos autoritários em diversos países árabes ressurge como uma esperança de democracia para esses povos. Entretanto, o sonho de democracia parece distante, pois, como lembra o escritor Bernard Lewis:

“…dos 57 países que compõem a Organização da Conferência Islâmica, apenas um, a República Turca, tem mantido a ordem política e a economia com liberdade e participação popular por um período extenso de tempo.”

A dependência do petróleo

A dependência Ocidental de petróleo está no coração de guerras e revoltas nos países de maioria islâmica desde os anos 1970. Do lado do Oriente islâmico o petróleo tem sustentado de monarquias, que vivem no luxo cercadas de pobreza, até ditaduras militares desvairadas, como a de Kadafi.
A busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente talvez nos livre dessa dicotomia entre dólar e petróleo.

Os diversos tipos de fanatismo

Dez anos depois do atentado, está mais claro que o fanatismo não é exclusividade do islamismo. Fanáticos existem nas diferentes religiões, inclusive na cristã; fanáticos existem na política. Recorde-se o recente caso da Noruega, e até no mundo dos esportes, haja vista a violência das nossas torcidas organizadas. Vale lembrar que fundamentalismo é mais um modo de crer do que um conteúdo de crença.

Como cristãos, devemos manter os olhos e o coração abertos, nada de estereótipos ou preconceitos. Devemos orar em favor de todos que são vítimas da violência, independentemente de onde vivam ou que religião pratiquem. Assim como devemos denunciar todos aqueles que praticam a violência, quer tenham em mãos o Corão, a Torah, o BhagavadGita ou a Bíblia, pois ninguém vai ao Paraíso fazendo da vida dos outros um Inferno.

Fernando Heise

De → Reflexões

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